
Sobrinha direta de Fernando Pessoa, Maria Manuela Nogueira Rosa Dias Murteira, nascida em 16 de novembro de 1925, em Lisboa, tornou-se uma das principais guardiãs da memória afetiva do poeta. Filha de Henriqueta, irmã de Pessoa, ela viveu com o tio durante boa parte da infância, convivência que mais tarde transformou em documentos literários e históricos essenciais.
Escritora e poetisa, Manuela iniciou sua carreira literária aos 20 anos e publicou, ao longo da vida, cerca de 23 livros, entre contos, romances, poesia e obras infantojuvenis. Sua estreia foi em 1962, com O Dedo Indicador.
Mas seu legado mais reconhecido está ligado às obras que escreveu sobre o tio poeta, entre elas "O Meu Tio Fernando Pessoa e Fernando Pessoa – Imagens de uma Vida", nas quais revela lembranças pessoais e humaniza a figura do autor dos heterônimos. Nos relatos, destaca o lado carinhoso, brincalhão e acolhedor de Pessoa, contrastando com a imagem austera que prevalece em muitas biografias.
Além de contribuir para a literatura portuguesa com sua própria produção, Manuela Nogueira desempenha um papel fundamental na preservação da história familiar do poeta, trazendo ao público uma dimensão íntima e rara de um dos maiores nomes da língua portuguesa.

*Centenário de Manuela Nogueira celebra legado literário e memória familiar*
Manuela Nogueira completou 100 anos em 16 de novembro de 2025. Escritora, pesquisadora e guardiã da memória literária da família, ela dedicou grande parte da vida a preservar e aprofundar a compreensão sobre a obra do tio, Fernando Pessoa, ao mesmo tempo em que construiu uma trajetória própria, marcada pelo rigor intelectual e pela sensibilidade.
As comemorações pelo seu centenário incluem também a biografia Manuela Nogueira: Desassossego sem Fronteira, escrita pelas brasileiras Conceição Andrade e Carla Parisi. Lançada em 2023, a obra ganhou segunda edição em 2025, consolidando-se como referência para estudiosos e admiradores. Conceição Andrade, natural de Laje, na Bahia, conheceu Manuela pessoalmente, encontro que inaugurou uma relação literária e afetiva que viria a resultar no livro.
A presença de Manuela Nogueira em eventos literários no Brasil marcou leitores e pesquisadores. Em 2015, durante a Fliporto, realizada no Mosteiro de São Bento, em Olinda, o curador geral, Antônio Campos, lembrou a passagem da escritora.
"Ela emocionou o público ao recordar episódios da infância vivida ao lado do tio. Em diálogo mediado pelo professor Arnaldo Saraiva, suas memórias revelaram nuances do ambiente familiar que influenciou sua formação, transformando o encontro em uma homenagem à sua vida, à sua longevidade e à sua dedicação à literatura".
A celebração dos seus 100 anos reafirma a importância de sua contribuição para a preservação da obra pessoana e para o entendimento da literatura portuguesa do século XX. Mais do que guardiã da memória de Fernando Pessoa, Manuela consolidou sua própria voz, tornando-se referência no campo das pesquisas literárias.
No ano de seu centenário, celebramos Manuela, sua memória, sua trajetória e sua presença continuam a inspirar.