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RENDA RENASCENÇA É RECONHECIDA COMO PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DE PERNAMBUCO E GANHA DESTAQUE NA FENEARTE 

Com dezenas de estandes dedicados à técnica artesanal, a Maior Feira de Artesanato da América Latina reúne mestras e rendeiros que preservam um saber centenário, geram renda e mantêm viva uma das maiores expressões do estado.

Por: Redação Fama Fonte: redação famamax
10/07/2026 às 18h16 Atualizada em 10/07/2026 às 18h35
RENDA RENASCENÇA É RECONHECIDA COMO PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DE PERNAMBUCO E GANHA DESTAQUE NA FENEARTE 
Márcia Carneiro, sobrinha da Mestra Odete - Fotos: Rafael Moreira

O reconhecimento da Renda Renascença como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco, nesta semana, reforça a importância de um saber-fazer que atravessa gerações e encontra na 26ª Fenearte uma de suas maiores vitrines. Na maior feira de artesanato da América Latina, localizada no Pernambuco Centro de Convenções até o dia 19 de julho, a tradição ocupa dezenas de estandes espalhados por diferentes espaços de comercialização, reunindo artesãos de várias regiões do Estado e revelando histórias de vida costuradas ponto a ponto. São toalhas, vestuário, acessórios, peças decorativas que preservam uma técnica secular, transformada em fonte de renda, identidade cultural e legado familiar.

Pela primeira vez, a Alameda dos Mestres recebe uma representante indígena do povo Xukuru de Ororubá. Aos 80 anos, a Mestra Francisca Xukuru traz para a Fenearte uma trajetória iniciada aos sete anos de idade, quando aprendeu a fazer renda com uma tia, que havia aprendido o ofício em Poção e repassou o conhecimento à família.

"A renda renascença representa a minha vida. Meu emprego sempre foi a renascença", resume Mestra Francisca. Ao longo da vida, ela criou os oito filhos graças ao trabalho com a renda. Todos seguiram o mesmo caminho, mantendo viva a tradição da família.

Para Francisca, participar da Fenearte é também uma oportunidade de apresentar ao público a história por trás de cada peça e contribuir para que a renda renascença siga sendo valorizada pelas novas gerações.

"A feira é muito importante porque mostra o nosso trabalho para gente de todo canto. Quem vem conhece a nossa história, aprende a dar valor à renda renascença e isso ajuda a manter viva essa tradição. É um patrimônio que a gente recebeu dos nossos antepassados e tem a responsabilidade de passar adiante."

O legado dela também pode ser visto em outro espaço da Fenearte. Uma de suas filhas, a artesã Alcione de Souza, de 48 anos, expõe suas peças no estande do Programa do Artesanato de Pernambuco (PAPE). Mãe e filha vivem na Aldeia Pé de Serra dos Nogueiras, no território indígena Xukuru de Ororubá, em Pesqueira, onde a renda renascença continua sendo transmitida entre gerações como parte da identidade cultural e da principal fonte de sustento da família.

Hoje, além das vendas presenciais, Francisca também comercializa suas peças pela internet, realidade que a levou a aprender novas formas de divulgar o próprio trabalho. "Está sendo ótimo estar aqui porque a gente recebe o povo assim que ele chega", conta ela sobre a participação na Alameda dos Mestres.

 

Também na Alameda dos Mestres estão as peças produzidas por Dona Odete, referência da renda renascença em Pernambuco. Também moradora de Pesqueira, ela dedica cerca de oito décadas de sua vida ao ofício, preservando uma tradição que chegou ao Brasil ainda no período colonial, trazida por freiras católicas, e que encontrou no interior pernambucano um dos seus maiores centros de produção.

Ao lado dela, outra geração ajuda a perpetuar esse patrimônio. A sobrinha, Márcia Carneiro, de 70 anos, cresceu cercada pela rotina das rendeiras da família. "Fui criada nisso. Aprendi com minhas tias", revela Márcia. 

Histórias como as de Francisca, Alcione, Dona Odete e Márcia se multiplicam pelos corredores da Fenearte. Em dezenas de estandes, rendeiras apresentam peças produzidas manualmente, cada uma carregando traços únicos, técnicas aperfeiçoadas ao longo de décadas e memórias familiares que ajudam a preservar um dos maiores patrimônios culturais de Pernambuco.

Para a diretora-presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado de Pernambuco, Roberta Andrade, o reconhecimento da Renda Renascença como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco reforça o papel da Fenearte na valorização dos saberes tradicionais e de seus protagonistas.

"Temos o compromisso de preservar e dar visibilidade aos ofícios que fazem parte da identidade cultural do nosso estado. A Renda Renascença é um dos maiores símbolos do nosso artesanato e esse reconhecimento fortalece ainda mais um trabalho construído por gerações de rendeiras. Na feira, elas encontram um espaço para comercializar suas peças, contar suas histórias e garantir que esse patrimônio continue vivo e sendo transmitido para o futuro”, afirma a gestora. 

*Programação da feira*

Além dos mais de 700 espaços de comercialização, a Fenearte preparou uma programação especial para o fim de semana, reunindo oficinas, gastronomia, moda e apresentações culturais. Nesta edição, o tema da feira é "Seleiros de Pernambuco: Ofício que Transforma", homenageando homens e mulheres que transformam o couro em peças que unem tradição, identidade cultural, inovação e geração de renda.

No Mezanino, as Oficinas Fenearte acontecem às 13h e às 17h, com atividades voltadas para quem deseja colocar a criatividade em prática. No sábado (11) e no domingo (12), o público poderá participar das oficinas Macramê e Sustentabilidade: Biojoias com Casca de Sururu, com Déborah Assunção; Faça seu Próprio Utilitário: Kit Café, com o Ateliê Micaella Alcântara; Caderno de Pontos: Cartografias do Bordado, com Fernanda Regueira; Balabá – O Boi do Mamulengo, com Cida Lopes; Frevista Sustentável: Escultura em Papel Inspirada no Frevo Pernambucano, com Izaque Moreno; e Gravura Alternativa: Narrativas Malassombradas do Recife, com Inabi Silva.

Na Praça de Alimentação, o Palco Pernambuco Meu País reúne grandes manifestações da cultura popular. No sábado (11), a programação começa às 15h com a Quadrilha Junina Dona Matuta, seguida pelo Bloco Carnavalesco Misto Flor da Lira de Olinda, Juninho do Coco, Afoxé Yamin Balé Gilê, Bacamarte e o show de Silverio Pessoa. No domingo (12), o palco recebe, a partir das 15h, o Grupo de Bacamarteiros Batalhão 17, Maracatu Leão Tucano, Mestres do Coco Pernambucano, Sociedade Musical Euterpina Juvenil Nazarena (Orquestra Capa Bode), além dos shows de PC Silva, às 19h, e Renilda Cardoso, às 20h30.

A Cozinha Fenearte também oferece uma programação especial com chefs convidados. No sábado (11), Nina Burkhardt apresenta, às 15h30, a aula-show "Aromas da Caatinga"; Cleonice Ferraz conduz "Queijadona", às 17h30; e Thiago das Chagas encerra a programação com "Sertão, Sabor e Arte", às 19h30. No domingo (12), Danilo Vieira abre as atividades às 14h30 com "Marisco à Sertaneja"; Ana Amélia apresenta "Carinho Nordestino", às 16h30; e Luciano Amorim encerra o dia, às 18h30, com "Ouro em Grão".

O espaço Moda Fenearte também valoriza a criação autoral pernambucana. No sábado, desfilam Mape (16h), Timóteo (17h), Moda Periférica (18h), Armura (19h) e Melk ZDA (20h), aproximando o artesanato da moda contemporânea.

A feira também promove ações voltadas ao fortalecimento da economia criativa, entre elas o 2º Concurso Praça de Sustentabilidade, destinado a estudantes de arquitetura e design; o 3º Desafio MAPE (Moda Autoral de Pernambuco), voltado a estudantes de moda; e o 2º Concurso Estande dos Estandes, que premiará os melhores projetos do setor Individual Pernambuco.

A acessibilidade segue como uma das prioridades da Fenearte. Pessoas com deficiência visual, pessoas neurodivergentes e pessoas surdas ou ensurdecidas contam com visitas guiadas e recursos de acessibilidade comunicacional durante a programação.

Para facilitar o acesso do público, a organização disponibiliza traslados gratuitos saindo dos shoppings Recife, RioMar, Plaza, Tacaruna e Patteo até o Pernambuco Centro de Convenções. 

Nesta edição, os visitantes também passam a contar com um novo terminal de desembarque, projetado para oferecer mais conforto e acessibilidade.

Ao reunir artesãos de todo o país, a Fenearte fortalece o intercâmbio entre diferentes tradições culturais brasileiras e amplia as oportunidades de comercialização para milhares de pequenos produtores.

26ª Fenearte — Feira Nacional de Negócios do Artesanato

Quando: 08 a 19 de julho de 2026 

Onde: Pernambuco Centro de Convenções (Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n - Salgadinho, Olinda) 

Horários

Segunda a sexta-feira — 14h às 22h 

Sábado e domingo — 10h às 22h 

Ingressos: 

Segunda a quinta-feira — R$ 12 (entrada inteira) e R$ 6 (meia-entrada) Sexta-feira a domingo — R$ 16 (entrada inteira) e R$ 8 (meia-entrada) 

À venda pelo site www.evenyx.com/26a-fenearte e nas unidades das lojas do Artesanato de Pernambuco no Edifício Palazzo Itália (Bairro do Recife) e nos shoppings Recife e Tacaruna. 

Também são pontos de venda as unidades da Casa do Pará (Boa Viagem, Casa Forte, Caxangá, Espinheiro, Imbiribeira, Olinda, Piedade, Pina, além de Porto de Galinhas e João Pessoa), da Trois Barbearia (Boa Viagem, Parnamirim, shoppings Recife e RioMar, além de Caruaru) e da Crosby (Piedade e nos shoppings Costa Dourada, Guararapes, Patteo e Recife), além do quiosque Parcele Aqui no Vitória Park Shopping (Vitória de Santo Antão). Em breve, o público poderá adquirir no site www.fenearte.pe.gov.br. 

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