
O professor, advogado e gestor Antonio Ferreira Rosa Júnior, 44 anos, completou 18 meses à frente do Ginásio Pernambucano (GP), instituição fundada em 1825 e considerada a escola pública em funcionamento mais antiga do Brasil. Natural da Boa Vista, no Centro do Recife, ele hoje dirige o mesmo prédio neoclássico que marcou sua infância como ponto de referência na Rua da Aurora.

A coincidência entre sua chegada e o bicentenário da escola definiu o ritmo da gestão: enquanto o Governo de Pernambuco investe R$ 7 milhões na restauração e modernização do prédio histórico, Antonio Rosa trabalha para recuperar também o “espírito de GP” — um ambiente de excelência acadêmica, cultura viva e forte pertencimento estudantil.
Em 2025, o Ginásio alcançou 5,2 no IDEPE do Ensino Médio, o melhor índice dos últimos cinco anos, recolocando a unidade entre as referências da rede estadual. A escola retomou ainda o recebimento do Bônus de Desempenho Educacional, implantou o Núcleo de Estudos em Ciência, Tecnologia e Inovação (NECTI) e fortaleceu parcerias com instituições como ESMAPE/TJPE, ALEPE, UFPE, UFRPE, UNICAP e UNINASSAU. Também inaugurou um projeto de teatro em parceria com a Cia Novos Talentos.

Hoje, o GP atende cerca de 720 estudantes distribuídos em 17 turmas de Ensino Médio Integral.
“Não preciso ter meu nome em placa. Minha maior marca é saber que jovens foram bem formados e vão fazer diferença no mundo”, afirma o gestor
Trajetória marcada por superação e diagnóstico tardio de TEA
Antes de comandar uma das escolas mais tradicionais do país, Antonio viveu uma infância marcada pela sensação de que precisava se esforçar mais que os colegas para acompanhar o ritmo da sala. Décadas depois, já adulto, recebeu o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1, fato que reorganizou sua compreensão do próprio percurso.
Essa experiência se tornou ferramenta de gestão: um olhar atento aos estudantes que rendem menos, se isolam ou parecem deslocados.
Da carreira no banco à vocação para a educação
A primeira grande experiência profissional de Antonio foi no sistema financeiro, onde trabalhou por cerca de dez anos até chegar a gerente de agência. A rotina rígida, o foco em metas e o atendimento ao público deram a ele habilidades que hoje se refletem no GP.
A virada para a educação veio influenciada pela mãe, professora. A alegria dela ao reencontrar ex-alunos o convenceu da força transformadora do ensino.
O hiperfoco, característica que ele mesmo reconhece, o levou a acumular múltiplas graduações e pós-graduações: Administração, Teologia, Processos Gerenciais, Gestão Financeira, Psicopedagogia, Pedagogia, Matemática, além do curso de Direito concluído com aprovação imediata na OAB.
Seleção pública e chegada ao comando do GP
A entrada de Antonio no Ginásio Pernambucano ocorreu por meio da seleção pública de gestores promovida pelo Governo de Pernambuco. Ele foi avaliado por títulos, projeto de gestão e análise técnica, compondo a lista tríplice antes de ser nomeado oficialmente.
“Passei a noite em claro tentando processar a alegria e a responsabilidade diante da grandeza da tarefa”, relembra.

Resultados dos primeiros 18 meses
Assumir uma escola bicentenária, pioneira na educação integral desde 2004, significou equilibrar tradição, política e desafios do cotidiano. Entre as principais conquistas da gestão estão:
Indicadores e estrutura pedagógica
IDEPE 5,2, o melhor desempenho em cinco anos; Retomada do Bônus de Desempenho Educacional; Recomposição do quadro docente, com maioria de professores efetivos; Implantação do NECTI-GPA, fortalecendo cultura científica; Parcerias com instituições de justiça, universidades e museus; Expansão da cena cultural com o Projeto Teatro GP.
Pertencimento estudantil e protagonismo juvenil
A gestão estimulou a participação estudantil por meio do Grêmio, clubes em intervalos orientados, rádio escolar, monitorias e atividades culturais.
Maria Luiza, presidente do Grêmio Estudantil, destaca:
“A maioria dos alunos realmente se sente parte da escola. O GP é feito por pessoas que se importam.”

Intervalo Bíblico e pluralidade religiosa
Mesmo sendo uma escola pública e laica, o Intervalo Bíblico reúne estudantes em atividades musicais e reflexivas, sem obrigatoriedade. A gestão garante equilíbrio, apoiando também ações de cultura negra, maracatu e tradições afro-brasileiras.
NECTI e o avanço científico
Coordenado pelo professor Woldney Damião, o NECTI articula pesquisas, oficinas e eventos como o Simpósio de Ciência & Tecnologia (SICTEM-GPA), integrando o GP a centros de pesquisa.
A educação integral sob outra perspectiva
Antonio defende uma educação integral que contemple dimensões corporais, sociais, espirituais e críticas. Entre as ações estão:
Pressão política e sondagens eleitorais
Por ser uma vitrine histórica, o GP coloca seu gestor no debate público. Antonio admite que já foi sondado para disputar mandato, mas afirma que não pretende entrar na política eleitoral.
“Contribuo mais estando ligado à gestão educacional”, diz.
Futuro e legado
O gestor projeta que 2026 e 2027 serão os anos de colheita dos investimentos atuais e arrisca uma previsão ousada:
“Tenho convicção de que o resultado de 2027 será o melhor dos últimos 20 anos.”
A manchete que gostaria de ler no futuro resume sua visão:
“O gestor que restaurou o Ginásio Pernambucano e garantiu excelência à escola pública mais tradicional do Brasil.”

Para além das paredes restauradas, Antonio diz que quer ser lembrado pelos filhos como um pai presente e, pelos alunos, como alguém que caminhou ao lado deles.