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FLIPORTO CELEBRA 20 ANOS COM FOCO NA LUSOFONIA E NA INTEGRAÇÃO ENTRE LITERATURA E ARTES 

Nesta edição, a Feira Literária alcançou 74 países.

Por: Redação Fama Fonte: FAMA - Fabíola Maria Farias
16/11/2025 às 15h04 Atualizada em 16/11/2025 às 19h36
FLIPORTO CELEBRA 20 ANOS COM FOCO NA LUSOFONIA E NA INTEGRAÇÃO ENTRE LITERATURA E ARTES 
Fotos: Philipe Soares - phi.soares/Luiz Fesari

RECIFE — A Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto) celebrou, em sua 20ª edição, a força da língua portuguesa e a integração entre literatura, artes e comunicação. O evento, realizado no Parque Dona Lindu, no Recife, reafirmou o papel da palavra escrita como matriz das expressões artísticas e instrumento de diálogo entre povos lusófonos.

Ao longo de duas décadas, a Fliporto consolidou-se como um dos principais festivais literários do país, reunindo autores, artistas, leitores e pesquisadores. A programação deste ano reforçou essa vocação ao promover debates, lançamentos e ações culturais voltadas para diferentes públicos. A curadoria destacou a centralidade da palavra como eixo da criação artística, premissa que atravessou mesas de discussão e apresentações.

Passado, presente e futuro

A edição de 2025 trouxe uma programação que dialogou com distintas temporalidades. A montagem “Carlos Pena e Miró cantam Recife”, escrita por Ronaldo Correia de Brito, reavivou a obra de dois ícones da poesia pernambucana e foi um dos destaques ao homenagear figuras essenciais da literatura local.

O presente se fez notar nos debates literários, encontros com escritores e lançamentos que movimentaram o público. Já o futuro ganhou espaço nas atividades de literatura infantil e nas linguagens emergentes, voltadas para novos formatos de produção artística e para a formação de leitores.

Fliporto Arte

O fotógrafo e escritor Gabriel Wickbold, que expôs em oito países, integrou o eixo de inovação com palestras e exposições, apresentando trabalhos que dialogam com as transformações das linguagens visuais contemporâneas. Sua participação dividiu espaço com a mostra comemorativa dos 100 anos do pintor Reynaldo Fonseca.

Além disso, a "Escolinha de Arte do Recife", que ao longo de seus 72 anos formou artistas como Gil Vicente e outras grandes personalidades, também esteve representada o cinema, pela cineasta pernambucana Kátia Mesel. A Fliporto Arte reuniu ainda galerias e artistas de diversos contextos, todos interagindo diretamente com a literatura.

Diálogo lusófono

A dimensão internacional da Fliporto foi reforçada em mesas dedicadas à lusofonia, democracia, tecnologia e meio ambiente. Participante do festival, o jornalista e escritor português José-Manuel Diogo, colunista da CNN Portugal, destacou a importância de ampliar o diálogo entre países de língua portuguesa em um cenário global marcado pela ascensão da inteligência artificial e por desafios sociais persistentes.

Um dos debates chamou atenção ao evidenciar desigualdades estruturais em comunidades lusófonas, como a falta de acesso a saneamento básico, apontando para a urgência de políticas culturais inclusivas e de democratização da leitura.

Valorização da cultura popular

A Fliporto também reforçou a valorização da cultura popular ao homenagear o poeta Miró da Muribeca, cuja obra transformou episódios do cotidiano em poesia crítica e acessível. A tradição da literatura de cordel esteve presente no festival, assim como referências à boemia literária do histórico bar Savoy, marco da formação de gerações de escritores e poetas pernambucanos.

Alcance internacional

A 20ª edição expandiu sua visibilidade para 74 países da comunidade lusófona, resultado da parceria com a Agência Incomparáveis, coordenada pelo jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes. A atuação da agência garantiu ampla repercussão em veículos de comunicação de Portugal, América do Sul, América do Norte, Europa Central e África Lusófona.

Segundo Lopes, a projeção internacional do festival reforça sua capacidade de construir pontes culturais. “É importante mostrar ao mundo que um festival com 20 anos tem um percurso sólido no ambiente lusófono e pretende alcançar novas geografias”, afirmou.

Reconhecimento e continuidade

Idealizador e curador-geral da Fliporto, Antônio Campos avaliou a edição como uma das mais expressivas da história do festival. “A Fliporto realizou quatro dias de intensos encontros de literatura, cinema e artes visuais. Aos 20 anos, reafirma seu papel como ponto de cultura que celebra o humano e as artes”, disse.

Com o sucesso da edição realizada em Portugal e a confirmação de seu retorno em 2026, a Fliporto se consolida como plataforma de intercâmbio linguístico e cultural no mundo lusófono. Encerrando as atividades, o festival reforçou sua mensagem central: “A força da palavra pode unir povos e mudar o mundo.”

 

 

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