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PRÊMIO “CAMINHOS DE LITERATURA 2025” SERÁ ENTREGUE NA FLIPORTO  À  ESCRITORA PAULA NOVAIS 

Escritora mineira estreia-se no romance com obra sobre o luto, a memória e a resistência feminina, que será publicada no Brasil e em Angola; “Gaiolas de concreto armado” conquistou o júri.

Por: Redação Fama Fonte: redação famamax
11/11/2025 às 08h57 Atualizada em 17/11/2025 às 13h55
PRÊMIO “CAMINHOS DE LITERATURA 2025” SERÁ ENTREGUE NA FLIPORTO  À  ESCRITORA PAULA NOVAIS 
Paula Novais - Foto- Divulgação

A escritora e advogada mineira Paula Novais foi a vencedora da segunda edição do Prémio Caminhos de Literatura 2025, distinção criada pelo escritor e curador Henrique Rodrigues para revelar novos talentos da ficção em língua portuguesa. O anúncio foi feito após um processo de seleção que envolveu mais de 200 obras inscritas, com o júri final composto por Airton Souza e Cintia Moscovich. O romance “Gaiolas de concreto armado” foi escolhido como melhor obra inédita de estreia e será publicado em 2026 pelas editoras Dublinense, no Brasil, e Kacimbo, em Angola.

O prémio, promovido pelo Instituto Caminhos da Palavra, oferece à vencedora uma mentoria sobre carreira e mercado literário, um adiantamento de R$ 5.000, cerca de 830 euros, e participações confirmadas na Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto), neste mês de novembro, e no Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços), em maio de 2026.

Nascida em Minas Gerais e radicada no Rio de Janeiro, Paula Novais é formada em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Já foi distinguida pela União Brasileira de Escritores nos concursos Anna Maria Martins (contos) e Ruth Guimarães (crónicas). Em 2022, publicou Ambidestria, livro de contos editado pela Urutau.

Ao comentar a conquista, Paula Novais destacou o simbolismo do prémio e o reconhecimento de uma trajetória literária construída com rigor e sensibilidade.

“O Prémio Caminhos de Literatura é uma premiação relevante, organizada pelo Henrique Rodrigues e pelo Instituto Caminhos da Palavra, que têm uma trajetória corajosa no circuito de premiações”, afirmou a autora e acrescentou ainda que a vitória representa “uma oportunidade maravilhosa poder publicar o meu romance de estreia pela Dublinense, cujo projeto editorial admiro tanto”.

A autora realçou o alcance lusófono da distinção e o seu significado cultural.

“Foi com imensa alegria que recebi a notícia de que “Gaiolas de concreto armado” tinha sido escolhido pelo júri do Prémio Caminhos de Literatura e que seria publicado não só pela Dublinense, como pela Kacimbo, sediada em Angola, país com quem o Brasil tem uma história compartilhada para muito além da lusofonia. Sinto-me honrada por poder publicar o meu romance em duas casas editoriais tão prestigiosas”, afirmou.

O romance, que conquistou unanimidade do júri, mergulha no contexto recente da pandemia e nas feridas sociais que se abriram nesse período.

Gaiolas de concreto armado” acompanha os acontecimentos pelo olhar de Nerissa, uma jovem que tem a sua vida arruinada pela pandemia, vivendo com ela o luto pela perda da mãe, a derrocada de suas poucas oportunidades, a dificuldade de encontrar um lugar de pertencimento no Rio de Janeiro, cidade pela qual ela cultiva um amor desencantado”, explicou a autora.

A narrativa, observou Paula, ganha densidade a partir da amizade entre Nerissa e Alzira, sua vizinha num edifício caótico em Copacabana.

“É desse encontro, entre duas mulheres de gerações e origens tão diversas, que surgirão novas possibilidades de leitura do mundo contemporâneo e do resgate de registros que dormitavam na memória de Alzira, alguns desde o golpe de 1964. Paulatinamente unidas pelas suas solidões privadas, ambas perceberão que o tempo é uma via em que podemos transitar por meio da memória. E que o passado, uma vez revisitado e recontado a partir do presente, não só pode ser revisto, como também modificado”, contou.

Para a autora, o cenário carioca é um elemento narrativo essencial.

“Nesse contexto, a cidade assoma como cenário e personagem, impactando com a sua violência, e de forma ainda mais aguda, a vida de mulheres de todas as idades e classes sociais”, descreveu.

O idealizador do prêmio, Henrique Rodrigues, detalha que o processo de escolha dos vencedores é conduzido de forma totalmente anônima, garantindo imparcialidade e transparência na seleção.

“O projeto funciona de forma simples e inovadora: escritores estreantes em romance submetem seus originais de maneira anônima. As obras são avaliadas exclusivamente pela qualidade do texto, sem qualquer identificação do autor. O manuscrito vencedor é publicado por uma grande editora e o autor passa a receber acompanhamento profissional para desenvolver sua carreira literária.”

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