
A coordenadora e curadora da Fliporto Arte, Denise Rodrigues Missaka, chega à edição de 20 anos do evento com uma bagagem que reúne tradição familiar, experiência profissional ampla e forte ligação com a produção artística pernambucana. Responsável por uma programação diversa e de alto nível, ela reforça o compromisso da feira com a arte, a literatura e a valorização da cultura regional.
Recifense, Denise cresceu em uma família inteiramente ligada às artes. O pai foi galerista por mais de 50 anos; o tio, Abelardo Rodrigues, tornou-se referência nacional com uma das maiores coleções de arte sacra e popular, atualmente transformada no Museu de Arte Sacra da Bahia. A linhagem artística inclui ainda nomes como Ariano Suassuna, Nelson Rodrigues, Mário Filho, (criador do estádio do Maracanã), além de Sérgio Rodrigues, Augusto Rodrigues e o fotógrafo Cafi.
Sua trajetória profissional começou na Galeria Rodrigues e na Escolinha de Arte, onde atuou como professora adjunta. Mudou-se depois para São Paulo, onde participou de montagens e produções de grandes exposições, entre elas a primeira edição da SP-Arte e a mostra “Francisco Brennand – Alma Gráfica”, além do projeto “Uma Introdução”, que percorreu museus em oito estados brasileiros.
Denise também integrou ações de revitalização de espaços projetados por Oscar Niemeyer no Estado de São Paulo, com programações que incluíam arte, arquitetura e teatro. No Memorial da América Latina, assumiu a programação cultural e produziu diversas exposições individuais de artistas nordestinos.
Segundo ela, a relação com a arte é parte indissociável da sua história. “O amor pela arte é como o ar que respiro. Sem ele, não há memória, nem futuro”, afirma.
Convidada por Antônio Campos, idealizador da Fliporto, Denise celebra o desafio de conduzir a curadoria e a direção da Fliporto Arte justamente na edição comemorativa de duas décadas. Para a curadora, o trabalho reafirma seu compromisso com a cultura pernambucana e com a promoção da arte em todas as suas linguagens.

Conheça a programação da Fliporto Arte
FLIPORTO A ARTE 2025 apresenta programação oficial com debates, performances, gastronomia e experiências imersivas no Parque Dona Lindu
A Fliporto A Arte 2025 confirma sua programação oficial e promete movimentar a cena artística pernambucana entre os dias 13 e 16 de novembro, no Parque Dona Lindu, reunindo artistas, curadores, galeristas, pesquisadores, críticos e o público interessado no diálogo contemporâneo das artes visuais.
Com uma curadoria que valoriza o encontro entre tradição, inovação e os novos olhares do Nordeste, a feira propõe uma imersão em quatro dias de palestras, performances, experiências sensoriais, intercâmbios culturais e ações educativas, reforçando seu papel como um dos mais relevantes espaços de circulação artística do país.
Abertura — 13 de novembro
A programação tem início às 18h, com o talk inaugural “O papel das feiras no fortalecimento da arte contemporânea brasileira”, conduzido por Tato di Lascio e convidados. Às 19h, autoridades, galeristas e curadores participam do coquetel de abertura na área central da feira.
Encerrando a noite, o fotógrafo e artista multimídia Gabriel Wickbold apresenta, às 20h, a palestra “Como nasce um artista? Desafios e movimentos”, marcada por reflexões sobre criação, identidade e trajetória profissional.
14 de novembro – Território, performance e mercado
O segundo dia destaca a diversidade das linguagens e debates. Às 16h, Daniela Falcão conduz a conversa “Arte e território: novos olhares do Nordeste”. Em seguida, às 17h, o artista Izidoro Cavalcanti apresenta a performance “Concerto em Prato em Dó Maior (2015/2025)”, reunindo música, gesto e experimentação.
Às 18h, o público acompanha a mesa-redonda “Galerias independentes e sustentabilidade de mercado”, que discute os desafios e a vitalidade de iniciativas que movimentam o circuito contemporâneo.
15 de novembro – Tradição gráfica, sensorialidade e políticas culturais
O terceiro dia inicia às 14h com o encontro “Vozes da Litogravura em Pernambuco”, ampliando o olhar sobre uma das técnicas gráficas mais importantes do estado. Às 15h, a chef e artista Cecília Chaves conduz “Integração entre arte, gastronomia e experiência sensorial”, propondo uma vivência única entre paladar e estética.
Às 16h, a Escolinha de Arte promove uma atividade externa voltada à arte-educação. Na sequência, às 17h, Tabata Vieira da Veiga ministra a palestra “Materiais vivos: resíduos, tecidos e memória como matéria artística”, seguida às 18h por Mabel Mamam com a apresentação “Artes visuais e política pública”.
16 de novembro — Encerramento e perspectivas
No último dia, às 15h, ocorre o encontro aberto “O público como obra: mediação e diálogo com o visitante”. Às 17h, a conversa de encerramento faz um balanço da feira e apresenta perspectivas futuras para a Fliporto A Arte.
A programação se encerra às 19h com o bate-papo “Criação, inspiração e processo: a arte como objeto e leitura visual”, que reúne artistas como Pedrosa, Rinaldo, Ana Veloso, Mayssa Leão, entre outros nomes do circuito contemporâneo.
Ações paralelas e experiências imersivas
Durante todos os dias do evento, o público terá acesso a:
Intervenções e performances espontâneas, conduzidas por artistas como Paula Marcondes;
Sessões de mediação e visitas guiadas, realizadas por arte-educadores e equipe de curadoria, aproximando o visitante do processo criativo e ampliando a compreensão da produção artística em exibição.
A importância da feira
A Fliporto A Arte 2025 reforça seu compromisso com a democratização do acesso, o diálogo entre linguagens e a promoção da arte contemporânea brasileira. Mais que uma feira, o evento se consolida como um espaço de escuta, troca e construção coletiva entre público, artistas e instituições.