
Se havia uma frase esperando uma resposta nas ruas de Olinda, João Campos encontrou uma forma simbólica de respondê-la. Em uma carreata que percorreu cerca de 8,5 quilômetros por Rio Doce, o candidato ao Governo de Pernambuco pela Frente Popular transformou um dos principais redutos políticos da atual gestão municipal em palco de uma demonstração de mobilização eleitoral.

A provocação veio dos próprios populares. Durante o percurso, moradores resgataram uma declaração atribuída ao ex-prefeito Professor Lupércio, que, após a vitória de sua sucessora na eleição municipal, teria afirmado: “Aqui em Olinda, João Campos não se cria.”
Nas ruas, a resposta ganhou outra versão: “Aqui, João se cria.”
E o que se viu foi uma carreata que rapidamente ganhou características de cortejo político, com uma multidão acompanhando o candidato, moradores saindo de suas casas e grupos de apoiadores ocupando as ruas de Rio Doce.

João esteve acompanhado da senadora Teresa Leitão, dos candidatos ao Senado Marília Arraes e Humberto Costa, além de Vini Castello, Eugênia Lima, do presidente da Câmara de Olinda, Saulo Holanda, e diversas outras lideranças.

Bonecos de João Campos e do presidente Lula também marcaram a mobilização, ao som do mote da campanha: “É o meu, é o seu, é o nosso.”

O recado político de Rio Doce
Mais do que uma carreata, a passagem por Rio Doce teve um componente político evidente. A escolha do território e a reação espontânea de parte dos participantes deram à agenda um significado que ultrapassou a simples mobilização de campanha.

Olinda é uma praça eleitoral estratégica e, historicamente, possui forte peso político na Região Metropolitana. Por isso, uma demonstração de força de um candidato ao Palácio do Campo das Princesas em uma área identificada com o grupo político que atualmente administra a cidade naturalmente ganha outra dimensão.
João Campos, porém, evitou transformar o ato apenas em provocação eleitoral.
Em seu discurso, colocou a experiência administrativa no centro da mensagem e defendeu uma maior integração entre Estado e municípios para enfrentar problemas que afetam diretamente a população.
“Tem muita coisa que o município sozinho não consegue fazer. É aí que o Estado precisa entrar, com recurso, equipe técnica e capacidade de execução. Quero fazer um governo presente na Região Metropolitana, trabalhando junto com as cidades para resolver problemas que afetam a vida das pessoas todos os dias”, afirmou.

Do “tira onda” ao discurso sobre o básico
A descontração da carreata contrastou com o tom mais sério adotado pelo candidato ao abordar as demandas da população.
Mobilidade, drenagem, segurança, saúde e infraestrutura apareceram como prioridades em um discurso que busca dialogar com uma realidade conhecida pelos moradores da Região Metropolitana: a dificuldade de municípios resolverem, sozinhos, problemas que ultrapassam seus limites administrativos.
Nesse ponto, João aposta em uma narrativa construída a partir de sua experiência à frente da Prefeitura do Recife: a de que a gestão estadual precisa atuar de maneira mais integrada com as cidades.

A imagem produzida em Rio Doce foi, portanto, dupla: um João Campos descontraído, “tirando onda” com a frase que dizia que ele não se criaria em Olinda, e, ao mesmo tempo, um candidato tentando transformar a mobilização popular em discurso de gestão.
E há um componente simbólico impossível de ignorar: o filho de Eduardo Campos voltou às ruas de Olinda em uma campanha pelo Governo de Pernambuco, carregando consigo a memória política de uma família que conhece bem o peso eleitoral da Região Metropolitana.
Em 2026, entretanto, o desafio é outro. A disputa pelo Palácio do Campo das Princesas passa também por Olinda , e Rio Doce mostrou que a campanha de João Campos pretende disputar esse território político nas ruas.

Em Olinda, pelo menos nesta carreata, a frase ganhou uma nova versão: “Aqui João se cria”.