
O candidato ao Governo de Pernambuco e líder da Frente Popular, João Campos, defendeu, nesta quarta-feira (16), durante entrevista ao podcast Fala Ordinário, a modernização da estrutura de segurança pública para acompanhar as novas modalidades de crime. Entre as propostas reforçadas estão a criação de um departamento estadual especializado em crimes cibernéticos, investimentos em equipamentos e perícia e o fortalecimento da capacidade de investigação.
“A gente precisa ter uma equipe preparada, polícia valorizada, bem treinada. A gente precisa ter equipamento adequado para isso, capacidade de investigação muito forte. E a estrutura do Estado precisa se modernizar para acompanhar as novas formas de crime. Isso tem que ter um departamento, um departamento estadual que combata esse tipo de crime”, afirmou João.
O candidato defendeu que a estrutura especializada esteja integrada a uma política mais ampla de enfrentamento às organizações criminosas, combinando prevenção, investigação e repressão qualificada.
“Eu não acredito numa pauta ideológica de segurança. Não é uma cartilha de direita, não é uma cartilha de esquerda, não é uma cartilha ideológica que vai resolver o problema da segurança. É uma cartilha técnica onde a gente tenha a capacidade de ter um programa estruturado de combate às organizações criminosas que faça a prevenção, que faça a repressão qualificada”, disse.
Saúde
Na saúde, João Campos reforçou o plano de construir quatro novos hospitais, incluindo o Hospital Geral Metropolitano e unidades no interior, além de requalificar estruturas existentes. A proposta combina a ampliação da oferta de atendimento de alta complexidade com mudanças na gestão da rede.
“Tem que aumentar a oferta de leitos e melhorar a qualidade de gestão do que tem. Na atual gestão, Pernambuco fechou 1.200 leitos. Se você fecha 1.200 leitos, isso é maior do que o tamanho da Restauração. É como se você fechasse a Restauração ou fechasse quatro hospitais metropolitanos. Claro que o serviço vai piorar. Então tem que aumentar a oferta e melhorar a qualidade de gestão do que tem”, afirmou.
João também defendeu a implantação de um sistema integrado de informações em saúde, reunindo dados de consultas, exames, medicamentos e procedimentos, além de aperfeiçoar a regulação e o abastecimento das unidades.
“Isso é gestão. Quando eu assumi a Prefeitura do Recife, a gente não tinha gestão em todas as unidades de saúde. Nós fizemos uma seleção para selecionar gestores para todas as unidades de saúde. A remuneração do gestor ficou variável, com 40% do salário de acordo com as metas que ele bate. Tem abastecimento de medicamentos, satisfação do usuário, vários indicadores que ele tem que atingir. Isso precisa ir para o Estado”, explicou.
A estratégia também prevê a interiorização dos serviços de alta complexidade para reduzir o deslocamento de pacientes.
“A nossa lógica é garantir que cada pessoa em Pernambuco esteja, no máximo, a duas horas de um hospital de alta complexidade. Quando a gente colocar esses hospitais do Sertão que faltam e fizer a expansão de alguns que hoje são de média complexidade, a gente vai garantir que qualquer cidadão esteja a duas horas de uma alta complexidade”, afirmou.
Duplicação da rede de escolas técnicas
Na educação, João reforçou a proposta de duplicar a rede estadual de escolas técnicas, com a construção de 57 novas unidades, além das 57 existentes. A expansão, segundo ele, deverá ser acompanhada pela contratação de profissionais e por um modelo de ensino conectado ao setor produtivo.
“Nós vamos duplicar a rede. Tem 57 escolas no Estado, a gente vai construir mais 57. Tem como fazer. Dupliquei a rede de creches do Recife em quatro anos. Tem como fazer. Agora, para isso, a gente vai ter que priorizar. Vai ter que contratar engenheiro, arquiteto, fazer obra, inaugurar novas unidades, contratar professor, fazer modelo de ensino e de educação que dialogue com o setor produtivo”, afirmou.
O candidato também defendeu a retomada da expansão do ensino técnico e a ampliação das oportunidades de formação para os estudantes pernambucanos.
“Pernambuco já teve a melhor educação pública de ensino médio, hoje não tem mais. Pernambuco já teve a maior rede de ensino técnico, não tem mais do Nordeste. Então dá para fazer muito mais”, disse.
Combate às organizações criminosas e reforço policial
Além da estrutura específica para crimes cibernéticos, João reforçou a proposta de contratar mais de 8 mil policiais, realizar concursos anuais e ampliar a presença das forças de segurança em todo o Estado.
Para o candidato, o enfrentamento à criminalidade precisa combinar efetivo, equipamentos, investigação e acompanhamento permanente dos indicadores.
“Não é para aparecer, é para dar resultado. Então eu vou coordenar pessoalmente a segurança pública. Semanalmente a gente vai ter uma reunião de gestão. Eu vou fazer como eu vi meu pai fazer quando era governador: ele recebia um relatório, olhava os indicadores diários de segurança. CVLI, que é o crime violento letal intencional, e CVP, o crime violento contra o patrimônio. Esses dados por região eram acompanhados diariamente. Isso faz toda a diferença”, afirmou.
João também defendeu o enfrentamento às facções como uma das prioridades da política de segurança.
“Um território conflagrado não pode ter o tráfico dominando e dizendo que nem a polícia entra. Isso não existe. Não pode existir isso. Se existir, está errado. Tem que ser enfrentado. Para isso, a gente precisa ter uma equipe preparada, polícia valorizada, bem treinada, equipamento adequado e capacidade de investigação muito forte”, declarou.
Proteção às mulheres
Na proteção às mulheres, João reforçou a proposta de instalar delegacias especializadas funcionando 24 horas em cidades com mais de 60 mil habitantes, além de ampliar a rede de acolhimento e prevenção à violência.
“Tem que garantir delegacia das mulheres em todas as cidades com mais de 60 mil habitantes. Essas delegacias vão funcionar 24 horas e vão ser lideradas e conduzidas por uma equipe feminina, com protocolos específicos. E a gente não só vai fazer a delegacia, mas também tem que garantir a prevenção, uma rede de acolhimento estadual”, afirmou.
O candidato também propôs a aquisição de 20 mil tornozeleiras eletrônicas para ampliar o monitoramento de agressores submetidos a medidas protetivas.
“Em janeiro, como governador, eu vou fazer a aquisição de 20 mil tornozeleiras eletrônicas. Vou marcar uma audiência com o presidente do Tribunal de Justiça e dizer: quantas tornozeleiras eletrônicas forem precisas, Pernambuco comprará para colocar nos agressores de mulher”, disse.
Gestão metropolitana
Na gestão metropolitana, João reforçou a proposta de criar uma Central de Operações Metropolitana para integrar as prefeituras e coordenar serviços que envolvem diferentes municípios, como saúde, segurança, abastecimento de água e atendimento em áreas de divisa.
“Eu vou construir uma central de operações metropolitana, onde todas as prefeituras serão chamadas a participar. Eu não quero saber de qual partido é o prefeito, se ele votou em mim, se não votou, se ele gosta de mim. Eu sei que o povo de todas as cidades tem que ser cuidado. De forma institucional, todas as cidades terão assento nesse comitê de gestão metropolitana”, afirmou.
No transporte público, o candidato defendeu que os investimentos estejam vinculados à melhoria efetiva do serviço, com renovação gradual da frota, ampliação de veículos com ar-condicionado e melhorias nas paradas de ônibus.
“O foco tem que ser no usuário e no serviço. E nós vamos incrementar, ano a ano, novas frotas, melhorando, trazendo ar-condicionado, fazendo isso com foco no usuário”, afirmou.
“Pernambuco precisa ter um tempo onde as coisas aconteçam”
Ao longo da entrevista, João Campos apresentou suas propostas a partir da defesa de uma gestão baseada em planejamento, execução e acompanhamento dos resultados, citando a experiência acumulada durante sua passagem pela Prefeitura do Recife.
“Eu vejo que Pernambuco precisa ter um tempo onde as coisas aconteçam. Não dá para a gente ser uma terra da promessa. Vamos fazer, estamos tentando, construindo. É importante ser uma terra da realidade, das coisas feitas e inauguradas”, afirmou.
Para João, a atuação do gestor público deve estar concentrada na busca por soluções e na entrega de serviços à população.
“Vocês não me viram reclamando, saindo de casa para dizer que a culpa é de um, de outro, que a política está difícil. O governador, o prefeito, o gestor não tem que estar reclamando. Ele tem que trabalhar para buscar a solução. Então eu vejo hoje que eu posso fazer muito mais do que está sendo feito”, concluiu.