
No coração do agreste de Pernambuco, um sonho ousado ganhou forma e atravessou gerações. A história de Plínio Pacheco é um exemplo marcante de como a arte, aliada à visão empreendedora, pode transformar realidades e projetar uma região para o mundo.

Nascido em 1926, na cidade de Santa Maria, Plínio iniciou sua trajetória na Aeronáutica, chegando ao Recife na década de 1950. Em meio à efervescência cultural da capital pernambucana, passou a atuar também como jornalista no Jornal do Commercio, experiência que ampliou sua sensibilidade para a cultura e os movimentos sociais.

Foi em 1956 que sua vida tomou um novo rumo. Durante uma visita ao distrito de Fazenda Nova, no município de Brejo da Madre de Deus, conheceu o “Drama do Calvário”, encenação popular realizada nas ruas da vila. O contato com a manifestação cultural e de fé, com a comunidade local despertou em Plínio uma visão que mudaria para sempre a história do teatro brasileiro.

No ano seguinte, casou-se com Diva Mendonça, filha de Epaminondas Mendonça, idealizador da encenação. A partir dessa união, consolidou sua ligação com o projeto cultural da região e passou a investir na criação de uma estrutura permanente para o espetáculo.

Em 1962, teve início a construção da Nova Jerusalém, um empreendimento grandioso para a época. A proposta era ambiciosa: erguer uma cidade cenográfica que reproduzisse a Jerusalém dos tempos bíblicos e que servisse de palco definitivo para a encenação da vida, morte e ressurreição de Cristo.

Cinco anos depois, em 1967, Plínio concluiu a peça “Jesus”, texto que se tornaria a base da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém. No ano seguinte, em 1968, a cidade-teatro foi oficialmente inaugurada, com mais de 100 mil metros quadrados, muralhas de pedra e múltiplos cenários que impressionam pela grandiosidade.

Ao longo das décadas de 1970 a 2000, o espetáculo consolidou-se como um dos maiores do mundo em seu gênero, reunindo milhares de espectadores e contando com a participação de renomados artistas da dramaturgia e da televisão brasileira. A iniciativa também impulsionou o turismo e a economia local, transformando Brejo da Madre de Deus em referência cultural durante o período da Semana Santa.

Plínio Pacheco faleceu em 2002, aos 76 anos, deixando um legado que ultrapassa os limites do teatro. Sua obra permanece viva em Nova Jerusalém, renovando-se a cada edição do espetáculo e reafirmando a força da cultura como instrumento de identidade e desenvolvimento.

Mais do que idealizador de um grande espetáculo, Plínio foi um visionário que transformou uma manifestação popular em um dos maiores eventos culturais do mundo, eternizando seu nome na história do país

Fotos:
Wilker Mattos
Janaina Pepeu
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