
O Instituto Histórico, Arqueológico e Geográfico de Goiana (IHAGGO) realizou, na manhã do sábado (24), o descerramento de um painel em homenagem ao advogado e militante dos direitos humanos Manoel Bezerra de Mattos Neto.

A iniciativa integra o projeto “Paredes que contam a história”, desenvolvido pelo IHAGGO com o objetivo de preservar a memória de personalidades que marcaram a história política, social e a luta pelos direitos humanos no Brasil.

O painel foi instalado no Viaduto Manoel Mattos, localizado na Rodovia PE-75, sobre a BR-101, no município de Goiana, em Pernambuco. O viaduto recebeu essa denominação a partir da aprovação do Projeto de Lei nº 1068/09, de autoria da então deputada estadual Teresa Leitão (PT), que atualmente exerce mandato como senadora da República.

A cerimônia inaugural neste sábado (24) contou com a presença da senadora Teresa Leitão; de Harlan Gadelha, presidente do Instituto Histórico, Arqueológico e Geográfico de Goiana (IHAGGO), órgão responsável pela organização do evento; de Manuella Mattos, filha de Manoel Mattos; do ex-deputado Fernando Ferro; além de familiares, amigos e pessoas ligadas à trajetória de luta do homenageado.
Manoel Mattos foi assassinado a tiros em 24 de janeiro de 2009, no município de Pitimbu, na Paraíba, em razão de sua atuação no combate a grupos de extermínio que atuavam na divisa entre Pernambuco e Paraíba. Advogado, vereador em Itambé (PE) e integrante da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PE, ele se destacou por incentivar populações vulneráveis a buscarem justiça e por denunciar organizações criminosas.

Em reconhecimento à sua trajetória, Manoel Mattos teve o nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, por meio da Lei nº 15.194/2025. O viaduto que recebeu o painel também leva seu nome, conforme a Lei Estadual nº 18.877, de 25 de setembro de 2000.
Durante a cerimônia, a senadora Teresa Leitão destacou o legado de Manoel Mattos e a permanência de sua luta na memória coletiva.
“Ceifar uma vida significa ceifar também os projetos. O que Manoel ainda tinha por fazer por essa região era muito. Como disse Fernanda Torres: ‘a vida presta’. Mesmo que a gente lute anos a fio pela verdade, pela justiça e pela memória, a gente não pode perder a esperança. E 2026 é também um ano pra gente relembrar o que Manoel Mattos dizia: ‘as lágrimas de hoje servirão de combustível para as futuras vitórias’”, afirmou.
O caso ganhou repercussão nacional e entrou para a história do país como o primeiro processo de federalização de um crime, com o deslocamento da competência para a Justiça Federal.
Edição: FAMA