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ÁGUAS DE OXALÁ ARRASTAM MULTIDÃO PELAS LADEIRAS DE OLINDA E REFORÇAM SINCRETISMO RELIGIOSO

Celebração reuniu milhares de pessoas no Largo do Bonfim, unindo fé, ancestralidade e pedido ecumênico por paz

Por: Redação Fama Fonte: FAMA - Fabíola Maria Farias
11/01/2026 às 19h42 Atualizada em 12/01/2026 às 11h56
ÁGUAS DE OXALÁ ARRASTAM MULTIDÃO PELAS LADEIRAS DE OLINDA E REFORÇAM SINCRETISMO RELIGIOSO
O andor e a multidão no largo do Bonfim: Fotos: Péricles Chagas e Anderson Batista

As ladeiras históricas de Olinda foram tomadas por uma multidão durante a realização da 48°  Águas de Oxalá, uma das mais importantes celebrações da cultura afro-brasileira em Pernambuco. O cortejo reafirmou o sincretismo religioso, a ancestralidade e o respeito às religiões de matriz africana, com um forte pedido ecumênico por paz.

A volta das Águas de Oxalá ao calendário cultural da cidade demonstrou sua força simbólica e espiritual, consolidando o evento como um dos mais relevantes de Olinda e do estado. A cerimônia foi conduzida por Pai Jorge de Bessem, sucesso de Tatá Raminho e responsável por assinar as águas e comandar, com rigor e sensibilidade, todos os ritos exigidos pela tradição.

O início do ato foi marcado por uma homenagem a Tatá Raminho, momento que emocionou filhos da casa e participantes. Em seguida, os cânticos em Yorubá ecoaram pelas ladeiras, puxados por Pai Jorge de Bessem, com acompanhamento do grupo Voz Nagô, dos afoxés e dos ogans presentes, criando uma atmosfera de profunda conexão espiritual.

O Largo do Bonfim ficou completamente tomado pelo público, enquanto dezenas de fiéis aguardavam o cortejo ao longo do percurso, pedindo bênçãos e recebendo as águas sagradas. Babalorixás e Yalorixás de diferentes segmentos e cidades prestigiaram a celebração, entre eles o Mestre Chacon do Pina.

Autoridades das esferas nacional, estadual e municipal marcaram presença, reforçando o reconhecimento institucional das lavagens religiosas como manifestações culturais únicas em Pernambuco, tanto pelo valor simbólico quanto pela sua dimensão histórica e social.

Representando a Igreja Católica, o padre Maurício Diniz conduziu a bênção no adro da Igreja do Bonfim. Em sua fala, pediu paz para as guerras que acontecem no mundo e, em um dos momentos mais marcantes da celebração, rezou o Pai-Nosso acompanhado pela multidão.

Ao final, Pai Jorge de Bessem voltou a fazer referência a Tatá Raminho e rogou por paz, prosperidade e saúde para os presentes e para toda a nação. O sacerdote também pediu que Oxalá, símbolo do Pai Maior e criador no candomblé, derrame suas bênçãos sobre o ano que se inicia e que o Carnaval de Olinda transcorra em paz, acolhendo com harmonia a multidão que ocupa as ladeiras da cidade e soltou as pombas brancas, símbolo da culto religioso e as tradicionais baixas, lavaram as escadarias da igreja.

Os afoxés que cruzaram Olinda em direção ao Bonfim deram um espetáculo à parte, reforçando a força estética e cultural do evento. No palco, o grupo Voz Nagô, criado pelo Mestre Naná Vasconcelos (in memoriam), conduziu as apresentações e reforçou as saudações dos grupos participantes.

A cerimônia contou ainda com a atuação da cerimonialista Yalorixa Ana Guedes, responsável pelo anúncio dos grupos, e teve coordenação geral do Mestre Silvio Botelho e do Pai Anderson, que conduziram todo o ato até a saída do cortejo.

As Águas de Oxalá se consolidam, assim, como um dos eventos mais importantes do calendário cultural de Olinda, reafirmando a força da cultura afro-brasileira, da ancestralidade e da fé, além da necessidade de ampliação e valorização dessa manifestação que mobiliza milhares de pessoas.

Fotos:

Péricles Chagas 

Anderson Batista 

Luiz Fesari

Redação famamamax

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