Terça, 14 de Julho de 2026
24°C 27°C
Olinda, PE
Publicidade

JOÃO CAMPOS E O RISCO DE AMADURECER NO “CARBURETO”

Coluna Opinião “Entre Linhas” por Fabíola Maria Farias - FAMA

Por: Redação Fama Fonte: FAMA
21/07/2025 às 11h38 Atualizada em 21/07/2025 às 12h14
JOÃO CAMPOS E O RISCO DE AMADURECER NO “CARBURETO”
Imagem de Marília Arraes e o prefeito João Campos na missa do Vaqueiro - Foto: reprodução Instagram de Marília Arraes

A presença do prefeito do Recife, João Campos (PSB), na 55° Missa do Vaqueiro em Serrita, contrastando com a agenda da governadora Raquel Lyra, causou mais burburinho nos bastidores da política do que nas ruas do Sertão. A tentativa de se inserir no interior pernambucano, para além da capital que governa, foi lida por muitos como uma jogada apressada. Alguns, inclusive, cunharam a metáfora certeira: “banana amadurecida no carbureto”. Ou seja, João pode estar tentando forçar um tempo político que ainda não chegou.

Com um segundo mandato garantido na capital e sem adversários competitivos em 2024, João vive hoje os primeiros sinais de desgaste de sua gestão, cobranças crescentes, oposição mais vocal e problemas estruturais que não se resolvem com marketing.

É natural que ele comece a construir pontes para 2026, mas há uma diferença entre articulação estratégica e exposição precipitada. Em cidades onde o PSB tem presença consolidada, como Garanhuns, houve firmeza. Em outras, ficou a sensação de desconexão e sorriso frio. Entregar títulos de cidadão e posar para fotos não substitui o conhecimento profundo da realidade local.

Diferente de seu pai, Eduardo Campos, que aprendeu a política nos bastidores das andanças do avô Miguel Arraes, João ainda parece distante da vivência sertaneja. Na Missa do Vaqueiro, quem assumiu o protagonismo foi Marília Arraes, que já foi adversária do PSB, mas conhece bem os caminhos do interior. Ela puxou o cordão. João, não.

A crítica de aliados é clara: o prefeito pode ser jovem, capaz, carismático,  mas precisa respeitar o tempo da política. Sua gestão no Recife ainda tem pendências que precisam ser resolvidas antes de se aventurar pelo estado. Mais do que popularidade nas redes sociais, Pernambuco exige presença física, pé no barro, escuta real e entregas concretas, é isso a Governadora tem feito. 

O áudio, mostrado em um blog, alguém ao lado explicava a pergunta de João: "o cabra arrudeia, é?";   onde João teria demonstrado desconhecimento sobre o percurso e a importância da Missa do Vaqueiro, foi mal recebido. A repercussão mostra que, fora do Recife, o peso simbólico e cultural das agendas precisa ser compreendido e respeitado.

Não basta ter sobrenome, apoio de cúpula e boa imagem. O interior vota em quem conhece, confia e viu fazer. E isso se constrói com tempo, estrada, escuta e suor.

Fica então o alerta, em forma de pergunta:

O Recife está pronto para ser deixado, ainda que temporariamente?

O vice-prefeito está preparado para governar em meio a uma capital cheia de desafios?

O novo PSB, mais midiático do que orgânico, consegue mesmo dialogar com o povo que ainda vive da feira, da agricultura de subsistência e que quer merenda, estrada, água e saúde básica na Zona Rural das cidades do interior?

Os  aliados "engomadinhos" como são chamados, vão comer a rapadura com queijo no chão, com  a poeira do sertão?

João Campos pode ter tudo para ser governador, porém, em um futuro  distante. Mas precisa deixar de lado os atalhos da política de imagem e amadurecer de forma natural. Porque em Pernambuco, quem tenta pular de série na marra acaba reprovado pela história.

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Lenium - Criar site de notícias