
Artigo Opinião por: FAMA - Fabíola Maria Farias
O Partido dos Trabalhadores de Olinda atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. Conhecido por suas divergências internas e disputas de bastidores, o diretório municipal, presidido atualmente por Lulinha, caminha para uma eleição que já revela sinais de desgaste, desunião e uma preocupante desconexão com a base militante da cidade.
O nome de Vivian Farias surge como candidata à presidência do partido local. Com um histórico de derrotas eleitorais — foi candidata a vice-prefeita e deputada federal — e de equívocos estratégicos à frente da campanha de Vinícius Castello, Vivian carrega uma imagem frágil dentro do município. Sua relação com Olinda é distante. Com atuação mais próxima dos corredores de Recife, Brasília e São Paulo, Vivian parece não compreender as nuances e demandas da militância local. A baixa votação que obteve como deputada federal — apenas 2.025 votos em Olinda — evidencia essa desconexão. É menos do que candidaturas comunitárias, como a da conselheira tutelar Rafa Crispim, conseguiram alcançar.
Enquanto isso, uma candidatura de Hélder Pires, com apoio de Eugênia Lima, vereadora e segunda mais votada da cidade com mais de 7 mil votos, ganha força. Eugênia representa o que há de mais vivo no PT de Olinda: a base popular, o trabalho direto com a comunidade e o respeito conquistado com atuação concreta. Sua articulação pode ser determinante para recolocar o partido nos trilhos da representatividade.
E onde está Vinícius Castello? Com mais de 105 mil votos na última eleição municipal, ele é uma das maiores lideranças do partido em Olinda. Mas sua ausência e silêncio nesse momento decisivo preocupam. Em política, a omissão também é uma escolha — e pode custar caro. Ficar em cima do muro agora seria um erro estratégico com consequências para sua trajetória futura.
A disputa interna, contudo, reflete um conflito ainda maior: o embate entre os senadores Teresa Leitão e Humberto Costa. Teresa, com trajetória próxima da militância e do chão de fábrica, apoia a articulação que envolve Eugênia. Já Humberto, em busca da reeleição ao Senado, aposta em ampliar sua base com o nome de Vivian. Mas a estratégia pode sair pela culatra. Vivian é vista por muitos na base como uma "Patricinha do PT", figura distante da realidade dos bairros, com discurso acadêmico e pouca prática popular. Até entre seus aliados, o termo "patroa" virou apelido irônico durante a campanha de Vinícius, que simboliza seu distanciamento do coletivo.
Essa instabilidade ocorre justamente quando o PT deveria se fortalecer. A reeleição do presidente Lula, prioridade máxima da legenda nacional, exige estruturas municipais sólidas, representativas e conectadas com os eleitores. Em Olinda, o partido corre o risco de se desfigurar por completo se não resgatar sua identidade histórica.
A falta de organização interna já provocou o esvaziamento da sigla em comunidades e bairros estratégicos. Muitos filiados migraram para outros campos políticos. A tão falada "limpeza geral" se torna urgente para evitar o colapso. Sem articulação real com a cidade, sem lideranças unificadas e com candidaturas frágeis, o PT de Olinda pode perder musculatura para disputar 2026 com força.
A eleição interna está prevista para junho, embora ainda sem data oficial. As movimentações de bastidores indicam que outros nomes podem surgir, mas o cenário segue indefinido. O que se espera é que as principais lideranças da legenda — como Vinícius e Eugênia — compreendam o papel que têm diante desse momento. É hora de tomar posição.
Afinal, como já se ouve nas rodas de conversa: cadê Vinícius e Eugênia?