
Coluna POLÍTICA NA VEIA por FAMA
"A gente não trouxe a chuva para o Sertão, mas a gente trouxe a esperança para o Sertão do Pajeú, para o Agreste. Trouxemos paz, trouxemos amor." Marília Arraes.
Na última semana, a política de Pernambuco passou por uma verdadeira revolução, impulsionada por adesões e anúncios da governadora em exercício, Priscila Krause. Em meio a esse cenário, João Campos avançou estrategicamente e levou consigo uma comitiva, na qual estava Marília Arraes.

Antes uma fiel aliada e militante de Eduardo Campos, Marília enfrentou desentendimentos partidários na disputa pela presidência da Juventude do PSB. Esse episódio, que hoje se mostra irrelevante, resultou em sua saída do partido e em uma trajetória política independente. Mesmo sem o apoio da família, Marília demonstrou sua força ao conquistar mandatos de vereadora e deputada federal.
Contudo, foi como candidata à Prefeitura do Recife e, posteriormente, ao Governo de Pernambuco que consolidou sua liderança, culminando na reunião dos Campos Arraes no segundo turno da eleição estadual.
Apesar da derrota para Raquel Lyra, Marília saiu do pleito mais experiente e com um número significativo de aliados. Agora, com sua reaproximação de João Campos e o início da agenda partidária, ela assume um papel central na oposição ao governo estadual. Em discursos marcantes e "alfinetadas", como em São Lourenço e no Sertão do Pajeú, Marília não poupou críticas à gestão estadual, assumindo a linha de frente na polarização política. Seu posicionamento firme é potencializado pelo contexto atual, no qual a violência política de gênero tem maior visibilidade, permitindo que uma mulher critique outra sem sofrer retaliações tão intensas quanto um homem.
Mais madura e independente, Marília construiu seu próprio legado. Em seus discursos, reforça o tom conciliador e popular, utilizando frases como "Aqui não tem ódio nem rancor, aqui tem amor" e "Nossa aliança é com o povo", alinhando-se à narrativa de João Campos. Além disso, evocou a memória do avô, Miguel Arraes, ao defender os trabalhadores rurais e criticar a gestão estadual, comparando "mãos calejadas pela enxada" a "máquinas enferrujadas". Nessa linha, também questionou a postura do ex-aliado, deputado Luciano Duque, que empossou seu filho na presidência do IPA, e ressaltou a necessidade de um maior diálogo e investimentos com os produtores rurais e a população da zona rural, elogiando a governadora pela construção política com o Podemos.
Diante desse cenário, Marília Arraes desponta como uma figura estratégica para o PSB. Com um estilo político aguerrido e assertivo, pode se tornar uma das principais vozes da oposição, desafiando a gestão estadual e consolidando sua relevância no tabuleiro político pernambucano. Seu protagonismo promete trazer dores de cabeça a seus adversários e movimentar ainda mais o cenário político do estado.
Foto 1: Reprodução
Foto 2: Wesley D’Almeida edição redação famamax