O Recife foi palco, na última terça-feira (11), do lançamento oficial da pesquisa e do desenvolvimento do documentário “Naná – um Griô pelo mundo”, projeto que pretende resgatar, organizar e sistematizar a trajetória artística e humana de Naná Vasconcelos, um dos mais reconhecidos percussionistas brasileiros no cenário internacional.
O encontro aconteceu na Sala Aloísio Magalhães, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no Derby, e reuniu pesquisadores, jornalistas e convidados para apresentar as etapas da pesquisa que servirá de base para a produção do longa-metragem.
Mais do que uma etapa de produção cinematográfica, a iniciativa representa um amplo trabalho de preservação da memória cultural. O levantamento será realizado em Pernambuco e reunirá documentos, fotografias, registros sonoros, imagens e outros materiais relacionados à vida e à obra do músico. O resultado deverá compor um documento analítico que contribuirá para a construção do roteiro do filme e para a preservação do acervo de Naná.
Participaram do lançamento Patrícia Vasconcelos, produtora associada do projeto e curadora da obra do artista; Patrícia Palumbo, jornalista, corroteirista e codiretora do documentário; Moisés de Melo Santana, coordenador da Cátedra Naná Vasconcelos e pesquisador da obra audiovisual do músico; além dos jornalistas Michelle de Assumpção e José Teles.
Preservação do legado
Desde a morte de Naná Vasconcelos, Patrícia Vasconcelos tem atuado na organização e curadoria do acervo do artista. Segundo ela, a catalogação é uma etapa fundamental não apenas para a produção do documentário, mas também para projetos futuros.
“Essa etapa de catalogação é a segunda fase e ajudará na pesquisa do filme ‘Naná – um Griô pelo mundo’, bem como no futuro Memorial, Museu e Centro de Referência Naná Vasconcelos”, destacou Patrícia.
Reconhecido por transformar a percussão em uma linguagem universal, Naná Vasconcelos levou o berimbau, o maracatu e diferentes sonoridades afro-brasileiras e nordestinas aos principais palcos do mundo. Ao longo da carreira, estabeleceu parcerias internacionais e desenvolveu uma trajetória marcada pela experimentação, pela diversidade cultural e pelo diálogo entre diferentes tradições musicais.
Relação com o Carnaval do Recife
A relação de Naná com Pernambuco também ocupa espaço importante na pesquisa. A partir de 2001, sob sua direção artística, a abertura do Carnaval do Recife passou a reunir nações de maracatu em um grande espetáculo, transformando-se em uma das principais referências da folia pernambucana.
Essa experiência também é objeto de estudos desenvolvidos pela Cátedra Naná Vasconcelos, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), com financiamento da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe).
Para o professor Moisés de Melo Santana, a permanência da tradição demonstra a dimensão do legado deixado pelo percussionista. Segundo ele, a política cultural iniciada durante a gestão municipal do Recife se consolidou e permanece mesmo uma década após a morte do artista.
Um griô contemporâneo
Com roteiro e direção de Patrícia Palumbo e Alessandra Dorgan, produção da MUK e produção associada de Patrícia Vasconcelos, o documentário pretende reunir imagens inéditas, registros raros e depoimentos de músicos e pesquisadores.
A proposta é apresentar Naná Vasconcelos como um griô contemporâneo, cuja música ultrapassou fronteiras e se tornou instrumento de memória, espiritualidade e diálogo entre diferentes povos.
O projeto é fruto de emenda parlamentar e conta com gerenciamento da Fundação Apollonio Sales de Desenvolvimento Educacional (Fadurpe), com apoio da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).
A iniciativa representa um importante passo para preservar a trajetória de um artista que ajudou a projetar a música pernambucana e brasileira no mundo e cujo legado permanece vivo na cultura, na música e na identidade de Pernambuco.