O evento que concedeu o Título de Cidadão de Olinda ao ex-prefeito do Recife, João Campos, ao senador Humberto Costa e a Medalha a pré-candidata Marília Arraes, foi marcado por tumulto, desorganização e, segundo relatos de profissionais da imprensa, pela restrição ao acesso de jornalistas ao plenário.
Funcionários da Câmara barraram, de forma considerada grosseira, a entrada de alguns blogs, com empurrões e atitudes que intimidaram profissionais de comunicação.
Quando nossa editora-chefe chegou ao local, o tumulto na entrada do Plenário já havia começado. Entre os veículos presentes estavam os blogs de Alberes Xavier e Kenedy Lima, a Rádio Notícia, TV do PT (que conseguiu entrar) e, naturalmente, o Famamax.
Com um microfone de lapela e o celular preparado para a transmissão, ela conseguiu registrar parte da situação, apesar dos constantes empurrões. Vestindo traje compatível com a solenidade, vestido longo e salto alto, questionou a conduta adotada pelos funcionários.
Segundo nosso relato, um servidor conhecido como "Zé Pequeno", usando uma camisa verde-clara, impediu a entrada da imprensa, junto com a ajuda de outros desconhecidos e que não temos informações de serem funcionários da Casa. O mesmo funcionário (Zé Pequeno), já havia se envolvido em outro episódio com nossa editora-chefe, quando, segundo ela, bateu em sua mão e derrubou seu celular. Na ocasião, foi registrado um boletim de ocorrência, mas nenhuma providência efetiva foi tomada, em Olinda, a justiça é cega.
Enquanto isso, lideranças políticas e pessoas sem cargo público ou função oficial tinham livre acesso ao plenário, até ex-vereadores que não tem mandato há décadas.
A ministra Luciana Santos chegou ao local. Nossa equipe chegou a conversar com ela sobre a situação, mas nenhuma medida foi adotada naquele momento.
Também relatamos o ocorrido ao jornalista e assessor da senadora Teresa Leitão, Júnior Dionísio, e que também atua como dirigente do Sindicato dos Jornalistas. Apesar disso, não houve qualquer manifestação imediata. Lembrando que Severino Dionísio Junior, foi Coordenador na linha de frente da Campanha da prefeita Mirella Almeida.
A alternativa oferecida pela organização foi um telão instalado na área externa da Câmara, para que a imprensa acompanhasse a cerimônia.
Mas surgem alguns questionamentos:
Como realizar registros fotográficos?
Como captar o áudio das autoridades?
Como exercer plenamente o trabalho jornalístico nessas condições?
Na prática, isso era impossível e representou, em nossa avaliação, um desrespeito ao exercício da profissão.
A equipe de João Campos acompanhava a movimentação, mas permaneceu sem intervir. Integrantes do PT também presenciaram a situação e seguiram para o interior do plenário normalmente.
Ao percebermos que não haveria solução imediata, deixamos o local indignados.
Somente depois, uma assessora do presidente da Câmara, Saulo Holanda, ao qual relatamos os fatos e enviamos vídeos, procurou nossa equipe para pedir desculpas, quando o constrangimento já havia ocorrido, mas já era tarde, pois as autorizações estavam próximo a porta de vidro e é provável ter visto a cena.
Resumo dos fatos:
Integrantes do PSB afirmaram que o partido não tinha responsabilidade pelo ocorrido e pediram compreensão, mas cruzaram os braços e não tomaram uma atitude.
Uma assessora da Presidência da Câmara pediu desculpas em nome do presidente, porém, quem manda nos funcionários?
Não houve manifestação pública de representantes do PT sobre o episódio, já que "defendem" os direitos de todos, nos discursos.
Também não vimos a presença de Marília Arraes no evento.
Ficam alguns questionamentos:
Quem determinou a restrição ao acesso de alguns blogs?
Quem é o responsável pela atuação dos funcionários?
Quem responde pelas ordens dadas?
Em algum momento existiu qualquer motivo para imaginar que jornalistas ofereceriam risco ao evento?
Após muita insistência, conseguimos retornar ao plenário e constatamos que alguns veículos tiveram acesso normalmente, entre eles a Folha de Pernambuco, o Jornal do Commercio, o Blog de Márcio Didier, Cabo Gato (que já teve caso da Maria da Penha, segundo relatos, foi absorvido, mas temos o BO e falamos com a vítima, na ocasião), Jatobá Ordinário (Que Júnior Dionísio é padrinho de casamento), e a Rádio Notícia, (sempre dá cobertura exclusiva ao presidente da Câmara).
Enquanto alguns profissionais trabalhavam normalmente, outros perderam tempo, recursos com deslocamento e passaram por um constrangimento desnecessário.
Nosso departamento jurídico já foi acionado para analisar as medidas cabíveis.
A Câmara Municipal de Olinda precisa rever seus protocolos de acesso e garantir tratamento igualitário a todos os profissionais da imprensa, assim como um espaço digno de trabalho.
O Famamax continuará exercendo um jornalismo independente, ético e comprometido com os fatos, como faz desde antes da criação oficial do portal, por meio da atuação de sua equipe, que tem professores, doutores, na equipe de consultoria.
É lamentável que episódios como esse ainda aconteçam.
Agora, aguardaremos a convenção de João Campos para verificar se a imprensa terá livre acesso ou se voltará a enfrentar as mesmas dificuldades.
O vídeo, segue na publicação do Instagram.