Conforme antecipado por nossa coluna, após o presidente nacional adotar uma posição de neutralidade, durante coletiva nacional do PT em Pernambuco, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste, confirmou que o chefe do Executivo federal deverá manter dois palanques em Pernambuco nas eleições de 2026. A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Globo e representa a manifestação mais explícita, até o momento, de um integrante da coordenação da campanha presidencial sobre o cenário político pernambucano.
Ao comentar os estados onde a estratégia do chamado “palanque duplo” está sendo adotada, Wellington Dias citou Pernambuco de forma direta. “Lá temos o João Campos e a Raquel Lyra”, afirmou o ministro, colocando o estado ao lado da Paraíba e do Maranhão como exemplos da articulação política conduzida pelo PT na região.
A fala tem peso político por partir de um dos principais responsáveis pela estratégia eleitoral de Lula no Nordeste. Ex-governador do Piauí e senador licenciado, Wellington Dias foi encarregado pelo presidente de coordenar as articulações políticas na região e deverá se afastar do ministério durante o período das convenções partidárias.
Cenário eleitoral
A declaração ocorre em um momento de intensa movimentação política em Pernambuco. Pesquisa Datafolha divulgada no último dia 28 de maio apontou a governadora Raquel Lyra (PSD) com 48% das intenções de voto para o Governo do Estado, enquanto o prefeito do Recife, João Campos (PSB), aparece com 43%.
O levantamento marcou a primeira vez em que Raquel surge numericamente à frente do socialista em uma pesquisa do instituto. O mesmo estudo também registrou crescimento na aprovação da gestão estadual, que passou de 60% para 67%.
Nos bastidores, aliados de João Campos apostavam que uma eventual declaração de apoio exclusivo de Lula poderia alterar o equilíbrio da disputa. A expectativa aumentou após reuniões entre o prefeito recifense e o presidente da República em Brasília.
No entanto, a fala de Wellington Dias indica que o Palácio do Planalto pretende manter diálogo e alianças com os dois grupos políticos, evitando escolher um único candidato em Pernambuco.
Estratégia nacional
A manutenção de dois palanques segue uma lógica já adotada por Lula em outros estados. Pernambuco é considerado estratégico para a campanha presidencial de 2026 e tanto Raquel Lyra quanto João Campos mantêm canais de interlocução com o governo federal.
A avaliação do PT é de que não há vantagem eleitoral em romper com qualquer um dos grupos neste momento. Ao contrário, preservar as duas alianças amplia o campo de apoio do presidente em um dos principais colégios eleitorais do Nordeste.
Disputa aberta
Apesar dos números recentes das pesquisas, o cenário eleitoral ainda está longe de uma definição. João Campos continua sendo um dos nomes mais competitivos da política pernambucana, com forte influência na Região Metropolitana do Recife e elevado índice de aprovação na capital.
Já Raquel Lyra busca consolidar os resultados de sua gestão e ampliar sua presença política no interior do estado, onde mantém forte articulação com prefeitos e lideranças municipais.
Com a confirmação do palanque duplo por parte de um dos coordenadores da campanha presidencial, o tabuleiro político de Pernambuco ganha mais um elemento relevante para a disputa de 2026, que promete ser uma das mais acirradas do país.