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DOM HELDER CAMARA, A PÉROLA DA FLIPORTO: UM TRIBUTO LUMINOSO A UM PENSADOR DA PAZ.
Um ícone da caridade, dos Direitos humanos e da poesia.
07/11/2025 08h28 Atualizada há 8 meses
Por: Redação Fama Fonte: Por: Fabíola Maria Farias - FAMA
Foto de Dom Hélder Câmara - acervo do Instituto.

A Fliporto fará homenagem a Carlos Pena Filho e Miró da Muribeca, dois poetas, pensadores de relevância e formatos distintos, porém, fará uma homenagem e uma mesa de encerramento com o instituto Dom Helder Camara, sua nobre contribuição para a humanidade e com um legado de poemas que somam mais de 20 mil escritos.

O instituto Dom Helder, que tem várias mãos organizadoras e responsáveis por manter vivo o seu legado. Uma delas é a advogada Virginia Pimentel, que tem lutado em busca de ressaltar o histórico de uma figura ícone, a frente do seu tempo.

Na Fliporto, a participação de Dom Hélder será fundamental para o resgates dessa herança literária deixada para Pernambuco.

"Dom Hélder, além de religioso e personalidade de dimensão internacional, foi também um pensador e um grande poeta. Admirava a poesia de Carlos Pena Filho, o que está registrado no livro Entrelinhas, que é homenageado na Fliporto 2025. A Fliporto presta, com honra e alegria, uma homenagem especial a Dom Hélder Câmara, "o poeta, o Dom da Paz",  como uma carta ou poesia urgente e atual que clama por paz em um mundo marcado por tantos conflitos", destacou o coordenador-geral da Fliporto, Antônio Campos.

Para a  Diretora Executiva do IDHeC, a advogada Virgínia Pimentel, o legado de Dom Helder é fundamental para a humanidade.

Dom Helder Camara, conhecido como oDom da Paz”, foi uma das maiores vozes brasileiras em defesa da paz, dos direitos humanos e da justiça social. Religioso, profeta e defensor dos pobres, enfrentou a ditadura militar denunciando a violência, a tortura e a desigualdade. Sua espiritualidade profunda gerou milhares de páginas de meditações e poesias, escritas sob o nome de “Padre José”."

Além de sua atuação espiritual e política, deixou obras concretas como a Cruzada São Sebastião, o Banco da Providência, a Operação Esperança e iniciativas de reforma agrária. Seu legado permanece vivo em mais de 200 mil escritos e 7.540 meditações.  E, em seu pensamento central ressaltou: “A única guerra legítima é contra a miséria e a ignorância”.

"Mesmo 116 anos após seu nascimento, sua mensagem continua atual em um mundo marcado por conflitos, intolerância e desigualdade. Dom Helder segue sendo símbolo de esperança, resistência e de compromisso com a paz verdadeira,  aquela construída com justiça e amor." Destaca Virgínia.

*Saiba mais sobre a programação da Fliporto*

Encerramento – Dom Helder Camara: O Dom da Paz

Momento Cultural – Literatrupe

Com direção de Carlos Mesquita, o recital “Mariama e o Sonho de Luz” apresenta poemas e meditações de Dom Helder, permeados por intervenções musicais e pela sensibilidade que marcou sua obra.

*Roda de Conversa – IDHeC*

Mediada por Virgínia Pimentel, diretora executiva do Instituto Dom Helder Camara, a roda de conversa reúne Irmã Vanda Araújo e o historiador Filipe Xavier,  para discutir o aspecto cultural e artístico do Dom: poeta, escritor e incentivador das artes, criador das emblemáticas noitadas em São José dos Manguinhos.

*O Legado*

Guardião de um acervo com cerca de 200 mil documentos, o IDHeC preserva o pensamento e a produção literária de Dom Helder, autor de 7.547 meditações assinadas como Padre José. Seu compromisso com a justiça social, suas quatro indicações ao Nobel da Paz e projetos como a Casa de Frei Francisco continuam inspirando gerações.

Com este tributo, a Fliporto celebra o Dom da Paz, reafirmando a força da literatura e da arte como caminhos para a esperança.

Por fim, segue um dos seus poemas prediletos de muitis, para a eternidade.

*ÚLTIMA PRECE*

Quando, enfim, se der o esperado encontro, cujo adiamento transforma em exílio, esta vida terrena.

Seja qual for a sentença que eu tiver de ouvir, deixa-me vestir um minuto, o manto dos Cantores, põe em minhas mãos, uma lira celeste e inspira-me o louvor perfeito, 

que eu não pude compor,

que eu não soube cantar,

mas que foi a razão exclusiva,

de me tirares do nada,

meu Deus e meu Pai!

Rio, 05.08.1951

Dom Helder Camara

Meditações do Padre José, p. 1227