Washington e Brasília — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (2) que o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, “pode ligar para ele a qualquer momento”, em meio à crise diplomática provocada pela imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros como carne, frutas e açúcar.
A declaração foi dada durante entrevista coletiva na Casa Branca. Trump afirmou estar “aberto ao diálogo” e que Lula “tem liberdade total para buscar uma conversa direta” sobre os temas em disputa. “Ele pode me ligar quando quiser. Estamos prontos para conversar”, disse o presidente norte-americano.
A fala acontece dias após o governo norte-americano anunciar o aumento das tarifas, medida que afeta fortemente o agronegócio brasileiro e gerou reações imediatas em Brasília. A nova taxação passa a valer a partir de 6 de agosto.
Em resposta, o presidente Lula tem adotado uma postura cautelosa. Durante visita ao Maranhão nesta semana, Lula afirmou que o Brasil está pronto para dialogar, mas criticou o comportamento de Trump. “Não é assim que se trata uma nação de 200 milhões de habitantes. Se ele quiser conversar, o Brasil está preparado”, afirmou o presidente brasileiro, destacando que não irá “se submeter a ameaças ou grosserias públicas”.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou a declaração de Trump como positiva. “Foi um bom sinal. Temos canais abertos com o Tesouro norte-americano e esperamos avançar”, disse. Haddad confirmou uma reunião com representantes do governo americano nos próximos dias para tentar reduzir as tensões.
A equipe diplomática brasileira, por sua vez, busca garantir que qualquer negociação ocorra com respeito institucional. Nos bastidores, diplomatas apontam que uma ligação entre os presidentes ainda depende de um gesto mais firme da Casa Branca em relação ao diálogo.
Impactos econômicos
Setores como o de carnes, frutas tropicais e açúcar estão entre os mais atingidos pela nova tarifa. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o impacto pode ultrapassar R$ 3 bilhões em perdas apenas nos primeiros meses de vigência da taxação.
Diplomacia em alerta
O Itamaraty monitora os desdobramentos da crise e considera mobilizar a Organização Mundial do Comércio (OMC), caso não haja recuo nas tarifas. A expectativa é que o encontro entre Lula e Trump, caso aconteça, possa suavizar a situação e evitar uma escalada de retaliações.