A recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas sobre produtos brasileiros teve um efeito político inesperado no Brasil. Segundo pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça-feira (15), a medida acabou prejudicando o ex-presidente Jair Bolsonaro e favorecendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que viu sua aprovação crescer e a rejeição cair.
De acordo com o levantamento, 36,9% dos entrevistados responsabilizam diretamente a família Bolsonaro pelas sanções. Para a maioria, no entanto, o motivo central das tarifas seria uma retaliação à participação do Brasil nos BRICS, com 40,9% das respostas. Apenas 16,8% associam as sanções a decisões do Supremo Tribunal Federal sobre redes sociais norte-americanas.
A resposta diplomática do governo brasileiro também foi bem avaliada pela população. Para 44,8%, a reação do Brasil foi adequada e 47,9% acreditam que o governo federal será capaz de negociar uma redução das tarifas.
A pesquisa também revela que 61,1% dos brasileiros consideram que Lula representa melhor o país no cenário internacional do que Bolsonaro. Essa percepção tem refletido diretamente nos índices de aprovação do atual presidente. Lula alcançou praticamente um empate técnico entre aprovação e desaprovação (50,3% x 49,7%), revertendo o cenário de junho, quando a rejeição superava a aprovação em 4,5 pontos percentuais.
Para o analista político da AtlasIntel, Yuri Sanches, o governo agiu com equilíbrio diante da crise.
“A resposta do Lula não foi agressiva nem antiamericana. Foi na linha da defesa da soberania e das instituições. O governo teve muita cautela e adotou uma postura diplomática”, avaliou.
Ainda segundo Sanches, a direita brasileira enfrentou dificuldades para construir uma narrativa unificada, com disputas internas e lideranças em conflito, como Tarcísio de Freitas e Eduardo Bolsonaro, o que ampliou a percepção de desorganização.
Além do impacto internacional, o governo Lula tem se beneficiado do embate com o Congresso Nacional, especialmente ao sustentar a narrativa de que parlamentares resistem à taxação de grandes fortunas, priorizando impostos sobre os mais pobres.
A pesquisa reforça que, mesmo em cenário adverso no exterior, o Planalto conseguiu transformar uma possível crise em oportunidade de fortalecimento político interno e externo.