Coluna Opinião
Por: Fabíola Maria Farias - FAMA
A política pernambucana, que não vive dias mornos, se prepara para mais um embate emblemático. Neste sábado, 24 de maio, o MDB estadual decide seu novo comando - e o duelo promete reverberar bem além das paredes da sede do partido.
De um lado, Jarbas Filho, herdeiro político do ex-governador Jarbas Vasconcelos, deputado estadual em ascensão, que encontrou abrigo e votos com o apoio do PSB. Do outro, Raul Henry, nome histórico do MDB, afilhado fiel de Jarbas pai, homem de bastidores e de mandatos, que ressurge com o apoio de João Campos e dos aliados que hoje comandam o Recife.
A disputa vai muito além da presidência de um diretório. Ela revela um racha geracional e estratégico: o MDB que foi moldado à imagem e semelhança de Jarbas agora está em xeque. A liderança que por décadas foi indiscutível se fragmenta diante de novos interesses e arranjos políticos para 2026.
Jarbas Filho se alinha ao palanque da governadora Raquel Lyra, que já deu sinais de simpatia e aproximação. Henry, por sua vez, voltou ao jogo pelas mãos de João Campos, com quem tem caminhado em sintonia e, com competência de articulação.
A verdade é que o MDB virou moeda de troca num xadrez maior. Com 114 votos, a eleição deste sábado decidirá mais que um presidente: definirá quem dará as cartas num cenário político em reconfiguração.
E há perguntas que merecem resposta:
Se Jarbas Filho vencer, Raul Henry aceitará ser comandado? Sempre liderou em nome de Jarbas?
Se Raul vencer, Jarbas e Dueire terão estômago para permanecer num partido que ajudaram a construir, mas agora pode tomar rumos distintos?
Nos bastidores, uma certeza: a sonhada vaga ao Senado está fora de cogitação. O partido, hoje, carece de força para isso. O atual senador terá que mirar a Alepe ou a Câmara Federal, e com cautela.
O MDB chega dividido, fraturado e em busca de um novo rumo.
O duelo deste sábado não é apenas sobre quem comanda o partido, é sobre quem sobrevive no jogo do poder em Pernambuco.
Amanhã, o veredicto. E as consequências, não tardarão a chegar.