Um dos maiores nomes da percussão mundial, o pernambucano Naná Vasconcelos está tendo o seu legado preservado através de um projeto inédito iniciado do Recife. Com a ação, parte do acervo pessoal e artístico do músico foi transferido temporariamente para o Muafro (Museu de Artes Afro-Brasil Rolando Toro), no Bairro do Recife —, onde passa por um minucioso processo de catalogação e conservação. A iniciativa marca o primeiro passo para garantir que a obra de Naná permaneça viva, acessível e inspiradora para as próximas gerações.
A proposta também tem um forte caráter educativo com a realização do projeto Vivências Naná: um ciclo de encontros formativos que promete deixar marcas na história da cultura popular pernambucana.
O primeiro encontro foi realizado em 12 de abril, sendo uma formação inédita voltada aos maracatus-nação do estado. A ideia é contribuir com o fortalecimento e a preservação dos acervos culturais dos grupos tradicionais de maracatu. A atividade reuniu cerca de 25 representantes de diferentes nações, abordando temas como educação patrimonial, conservação e cuidados com instrumentos e vestimentas, além de noções de higienização e organização de acervos culturais.
Além da formação voltada aos maracatus-nação — articulada com o apoio da Amanpe (Associação das Nações de Maracatus de Pernambuco) —, o projeto prevê mais dois encontros: o segundo será dedicado a músicos, percussionistas e interessados na preservação do patrimônio imaterial; o terceiro, voltado a pesquisadores, estudantes e profissionais ligados à cátedra de Naná Vasconcelos na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). As datas e os locais dessas atividades serão anunciados em breve.
*Preservação*
O legado artístico e cultural do pernambucano Naná Vasconcelos, falecido em 2016, um dos mais importantes percussionistas do mundo, será preservado através deste projeto, que inicia com uma cuidadosa etapa de inventário do seu vasto acervo, sob coordenação e curadoria de Patrícia Vasconcelos, viúva do músico, e com concepção e produção do produtor cultural Amaro Filho.
Patrícia Vasconcelos destacou que há nove anos tenta viabilizar esse resgate histórico e cultural. "Foi uma longa jornada até aqui. Finalmente demos este primeiro passo, mas é importante ressaltar que a verba captada através da emenda parlamentar não será suficiente para concluir todas as etapas necessárias do projeto. Precisaremos de mais apoios para que o legado de Naná seja preservado em sua totalidade", afirmou.
A fase inicial do projeto concentra-se em mapear detalhadamente cada item do acervo, que inclui objetos pessoais, instrumentos, vestuário, documentos históricos e fotografias raras. "Estamos realizando um trabalho minucioso para documentar tudo o que Naná deixou. Cada objeto tem sua história e sua importância. Este primeiro passo é fundamental para entendermos a riqueza do acervo e planejarmos as etapas seguintes", explica Patrícia Vasconcelos, que veio de Nova Iorque, onde mora, passar uma temporada no Recife acompanhando o projeto.
Todo o processo está sendo conduzido pela equipe especializada da Arte sobre Arte Restauro, coordenada por Débora Assis Mendes, assegurando rigor técnico e respeito às particularidades do material histórico e artístico, além de um diagnóstico das condições de conservação de cada item. A documentação também conta com registros fotográficos detalhados feitos pelo fotógrafo Ricardo Labastier.
"A catalogação e o tratamento desses materiais são fundamentais para que o acervo de Naná possa ser estudado e difundido corretamente", explica Amaro Filho. Segundo ele, a iniciativa busca não apenas preservar os itens físicos, mas também promover a troca de conhecimento com a comunidade cultural. Ao longo do projeto, serão realizadas três formações gratuitas, direcionadas a mestres e integrantes dos maracatus, com o objetivo de instruí-los sobre técnicas de preservação de instrumentos e acervos.
O projeto foi viabilizado por meio de emenda parlamentar do deputado estadual João Paulo (PT), com execução administrativa da Fundação Apolônio Salles de Desenvolvimento Educacional – Fadurpe e apoio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco - Fundarpe, através do Governo de Pernambuco. A sede das ações é o Museu de Artes Afro-Brasil Rolando Toro - Muafro, espaço de referência na valorização da cultura afro-brasileira localizado no Recife Antigo.
Mais informações e atualizações sobre o projeto estão disponíveis no site oficial: www.nanavasconcelos.com.br.